21/01/2023 às 12h48
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Ascom
Oeiras / PI
Juarez Sousa da Silva, nascido em 30 de junho de 1961, no interior do município de Barras, que depois se tornou Cabeceiras, foi nomeado pelo Papa Francisco como o oitavo arcebispo de Teresina. Esta é a primeira vez que um piauiense ocupa o cargo em 100 anos. A decisão foi após a renúncia de Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho.
Dom Juarez, que ocupava o cargo de bispo de Parnaíba, é licenciado em Filosofia e tem mestrado em Teologia - História Eclesiástica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Atualmente é presidente do Regional Nordeste IV da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Do jovem que encontrou os próprios caminhos junto aos cordeiros de Deus até o cargo máximo da Igreja Católica em Teresina foi uma longa jornada. Em 1995, o padre lembra que abençoou as instalações do Grupo Meio Norte. De lá para cá, muita coisa mudou. Da forma de se comunicar até a forma de evangelizar.
Em meio a todo este processo de transformação que o mundo vive, Dom Juarez analisa contextos de uma sociedade em constante mutação, que aos poucos experimenta o progresso. Isso não é diferente para a Igreja Católica, que hoje se moderniza para se aproximar dos mais jovens.
Para NOSSA GENTE, Dom Juarez traz a representatividade religiosa para o povo do de Teresina, que agora conta com um conterrâneo para administrar a Casa de Deus na capital.
Dom Juarez: Primeiramente, agradeço ao Grupo Meio Norte de Comunicação pela solicitação e pela oportunidade de emitir uma opinião. Recordo que tive a oportunidade de celebrar a bênção de inauguração das instalações do Meio Norte em Teresina, em 1995, a convite da jornalista amiga, Elvira Raulino. Sobre a pergunta, sinto-me um agraciado de Deus por me fazer bispo em meu amado Estado. Agora, na terceira diocese. Depois o sentimento de ser um privilegiado, pelo mesmo motivo. Tudo é graça... Tudo é dádiva do alto.
O Papa emérito Bento XVI era um “teólogo, bispo e Papa”, que nos deixou um grande legado, no qual se destacam uma fé profunda e esclarecida, o amor pela Igreja e a preocupação pelos rumos do mundoDom Juarez
DJ: O Papa emérito Bento XVI era um “teólogo, bispo e Papa”, que nos deixou um grande legado, no qual se destacam uma fé profunda e esclarecida, o amor pela Igreja e a preocupação pelos rumos do mundo. Compartilho com meus irmãos a gratidão pela minha nomeação como bispo, inicialmente, de Oeiras há quinze anos. A alegria que tive de me encontrar com ele por duas vezes. Em 2008, no encontro de bispos novos, e em 2009, na Visita Ad Limina. Em ambas, pude sentir nele a humildade e a sabedoria do Vigário de Cristo, que me confirmou e me encorajaram para o exercício do episcopado, que estava apenas iniciando. Compartilho ainda, e como testemunho, seus últimos ensinamentos. No longo período como papa emérito, entre 2013 e 2023, com o seu silêncio, ensinou a como nos preparar. “Não para o fim, mas para o encontro definitivo com o Senhor”. Morreu declarando amor a Jesus Cristo de quem se fez fiel discípulo missionário. “Eu te amo, Jesus".
DJ: Um papa chamado Francisco é simbólico para o nosso continente e para o mundo inteiro. A palavra certa para o simbolismo de Francisco é reforma. O papa que busca implementar a reforma proposta pelo Concílio Vaticano II. Reforma que na vida da Igreja é voltar a beber nas fontes originais e genuínas da fé cristã: Jesus Cristo e a experiência das primeiras comunidades cristãs. Reforma na cabeça e nos membros da Igreja. Mudanças significativas no campo administrativo da Cúria Romana.
DJ: Prosseguir no caminho da sinodalidade, caminhar juntos, de viver a unidade, na pluralidade religiosa e cultural dos tempos hodiernos. Outro desafio é o que propõe oportunamente a Igreja no Brasil para este ano como terceiro Ano Vocacional, cujo objetivo é "promover a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar de todas as vocações, como graça e missão a serviço do Reino de Deus". Outro desafio, que o nosso Regional Nordeste IV busca enfrentar, mas é de todo Brasil, é o de ser uma Igreja catecumenal, assumindo concretamente, em todas as instâncias. comunitárias, paroquiais e diocesanas, a catequese de inspiração catecumernal a serviço da Iniciação à Vida Cristã, que forme discípulos e discípulas convictos da fé, fortaleçam as comunidades e transformem a Igreja e a sociedade.
DJ: Evangelizar, ou seja anunciar a boa nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. No Brasil, cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude.
DJ: Quero ser sinal e canal de bênção para todos: Deus vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós. Volte para vós o seu olhar e vos dê a sua paz. Amém!
DJ: Evangelizando. Ou seja testemunhando Jesus Cristo e anunciando Sua boa nova, pela escuta, vivência e anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas, em comunidades, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus.
DJ – O arcebispo metropolitano é um homem da unidade. Tem especial responsabilidade pela unidade da Igreja na província eclesiástica, em relação às dioceses, assim chamadas de sufragâneas e aos seus pastores. Sinal desta responsabilidade é o Pálio usado pelo arcebispo. O Pálio - derivado do latim pallium, faixa de lã branca que é colocada sobre ombros dos Arcebispos. Este pano representa a ovelha que o pastor carrega nos ombros, assim como fez Cristo com a ovelha perdida. Desta forma podemos dizer que o Pálio é o símbolo da missão pastoral do arcebispo, e de sua jurisdição em comunhão com a Santa Sé.
DJ: A mudança de época dos tempos em que vivemos, contém no seu bojo, o pluralismo cultural e religioso, a indiferença religiosa e o secularismo. Estes, são grandes desafios para a evangelização. Creio que é preciso uma conversão pastoral, pessoal e comunitária. A Igreja precisa sempre ser reformada como já disse anteriormente. Precisamos assumir concretamente, as reformas propostas pelo Concílio Vaticano II, há sessenta anos. Dentre essas reformas, algumas foram realizadas e outras se realizaram paulatinamente. Outras, no entanto, precisam ser assumidas na força do Espírito Santo com decisão e coragem. Certamente o que é mais urgente, é assumir cada vez mais uma catequese de orientação catecumenal que esteja a serviço da Iniciação à Vida Cristã que, à luz da Palavra de Deus, proporcione um encontro pessoal com Cristo Jesus, formando discípulos e fortalecendo as comunidades. Para isso, estamos vivenciando, neste ano, 2023, o 3º Ano Vocacional em nível nacional, e ao mesmo tempo, o Ano de Iniciação à Vida Cristã, em nosso Regional Nordeste IV, Piauí, cujo tema é Iniciação à Vida Cristã, caminho para o encontro com Cristo e Lema, “Corações ardentes pés a caminho”. O conteúdo deste ano temático precisa ser acolhido e posto em prática por todos os agentes de pastoral em nossas dioceses. Não pode ficar engavetado. É preciso escutar e obedecer à Palavra, Cristo Jesus. É preciso escutar e obedecer a voz da Palavra, que é a Igreja. É preciso evangelizar, e cuidar de todos priorizando os pobres e os jovens, como proclamou a Conferência de Puebla, de 1979.
DJ: Primeiramente devo chegar, encontrar e escutar. Partindo do encontro com e da escuta à Igreja de Deus que está em Teresina, e tem uma belíssima trajetória de evangelização, continuar o que deve ser continuado e mudar o que deve ser mudado. Mudanças são necessárias em todos os aspectos da existência e da vida na Igreja e na sociedade. Sobretudo nos tempos em que vivemos e que são caracterizados pela mudança de época.
FONTE: Meio Norte
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